Fontes de financiamento
Para realizar sua missão e atender às necessidades da comunidade, toda organização precisa de recursos, sejam eles de origem nacional ou internacional, advindos de fontes governamentais ou privados (Landim, Leilah, 1999).
Muitas ONGs que surgiram durante o regime militar obtinham recursos externos através de organizações de cooperação internacional como a CIDA, a USAID etc., recusando o financiamento governamental ou de empresas. Outras entidades com caráter de assistência social têm uma tradição de sobreviver através de convênios com o governo, seja da esfera municipal, estadual ou federal. Existem ainda aquelas, também assistenciais, que têm origem religiosa e sobrevivem através dos recursos provenientes de sua congregação e doações de indivíduos.
Diversos financiadores internacionais reduziram suas doações a organizações brasileiras, fazendo com que, cada vez mais, busquem localmente o financiamento de sua sustentabilidade. A partir desse cenário, o que fazer? Pretendemos mostrar (...) que não se deve esperar recursos de uma única fonte, pois corre-se o risco de essa fonte deixar de contribuir. Mostraremos também que cada fonte tem características bem claras e muito provavelmente sua instituição tem identidade com mais de uma.
Ainda que sua entidade tenha uma identidade maior com uma dessas fontes, é altamente recomendável que se desenvolvam campanhas e solicitações aos diversos tipos de fontes de financiamento aqui mencionadas. Primeiramente porque estamos tratando da sustentabilidade, e é muito arriscado depender de uma única fonte de recursos. Outro fator primordial é que, para expandir as possibilidades de arrecadação, sua entidade deverá desenvolver contato com diversos públicos, atingindo reconhecimento em vários setores da sociedade, contribuindo para legitimá-la. Uma entidade que obtém recursos do governo, das empresas, de organismos internacionais e da comunidade próxima é, com certeza, uma entidade representativa, legítima e útil à sociedade. Possuir uma fonte de financiamento - como, por exemplo, uma fundação conhecida -, fortalecer a obtenção de recursos de outra, e isso se transforma num ciclo virtuoso.
Indivíduos
Segundo a pesquisa "As organizações sem fins lucrativos no Brasil: Ocupações, despesas e recursos", realizada por Leilah Landim e Neide Beres em parceria com a The Johns Hopkins University, "81% das doações privadas vêm de indivíduos, totalizando R$ 1,7 bilhões". 21% da população doa recursos financeiros - uma média de R$ 158,00 per capita/ano - e outros 29% doam recursos materiais. E se consideramos a doação de trabalho voluntário e seu valor, as doações privadas cresceriam para mais de um quarto de estrutura de recursos materiais. E se considerarmos a doação de trabalho voluntário e seu valor, as doações privadas cresceriam para mais de um quarto de estrutura de recursos para o setor (Landim).
"Ou seja, 50% da população faz alguma doação, em bens ou dinheiro, para organizações sem fins lucrativos". Destes, 44% doam através de igrejas ou grupos religiosos e 43% doam para a área de assistência social. Estes números mostram a importância do contribuinte individual e nos atentam para que desenhemos estratégias de captação de recursos direcionadas às pessoas da comunidade. Pessoas estas que aderem à causa, se identificam com os projetos que a entidade desenvolve e mostram isto doando recursos, mesmo que pequenos.
Muitas entidades preferem deixar de lado essa busca de doadores individuais. Pensam que o trabalho para obter estes recursos é muito maior do que os recursos
Para resolver essa questão de que o início de um sistema de sócios-contribuintes é custoso, recomendamos que se desenvolva um lançamento da campanha através de um evento. Esta ação tem como objetivo alcançar um grande número de doadores, que confirmarão suas contribuições mensais ou anuais. Mesmo que as doações individuais sejam de valores reduzidos (R$ 5,00 ou R$ 10,00), queremos que você perceba que, ao multiplicar essa doação pelos anos que essa pessoa pode contribuir, se você a mantiver fiel à instituição, terá um valor significativo e de primordial importância. Outra grande vantagem de estabelecer um grupo de doadores fiéis é que a saída de um ou outro não significa uma perda substancial de receita. Se, por exemplo, temos 200 doadores contribuindo mensalmente com R$ 20,00, mesmo que duas pessoas desistam de contribuir, teremos uma redução mínima. Ao mesmo tempo, se nossa entidade mantém um convênio com a prefeitura local e esta deixa de efetuar os pagamentos, corremos o risco de fechar a entidade de uma hora para a outra.
Jorge Santacana, diretor geral da Consulting Ogilvy One Worldwide, caricaturiza os doadores segundo alguns perfis, que apresentaremos a seguir, e propõe ao leitor identificá-los entre seus doadores. Este exercício facilitará a definição de estratégias de sus organização para cada público e, neste sentido, propõe oportunidades de arrecadação:
- Pró-ONGs: contribuem com várias instituições e fazem isto de forma espontânea, mesmo sem serem solicitados. Em sua maioria, são sócios-contribuintes de uma ou mais organizações sem fins lucrativos. De qualquer forma, serão sócios de alguma organização. Trabalhe para que sejam sócios da sua. Ao serem solicitados, reagem positivamente.
- Colaboradores: pessoas que não só contribuem, mas participam ativamente da organização. Juntamente com os Pró-ONGs, são os "vendedores" mais ativos do projeto. Em geral são sócios de uma única organização. Têm o perfil de serem os melhores captadores de novos sócios.
- Livres de consciência: contribuem habitualmente com uma única organização, sendo sócios desta, e se sentem liberados de contribuir com outras. Perante sócias apenas de sua organização, o seu objetivo deverá ser incrementar as contribuições feitas e fidelizá-los pelo maior tempo possível.
- Eventuais: só reagem perante grandes calamidades que os meios de comunicação divulgam e doam a qualquer organização que canalize ajuda para esse fim. Não costumam ser sócios de nenhuma organização e as organizações tendem a denominá-los doadores pontuais. É mais difícil identificá-los, mas representam um das maiores oportunidades de recursos de uma organização, pois se já contribuíram uma vez, estão mais dispostos a contribuir novamente.
- Telemaratonianos: são parecidos com os eventuais, mas só reagem a eventos na TV e no rádio, como o Teleton e o Criança Esperança. Colaboram movidos pela emoção transmitida nos programas e logo após esquecem de sua ação. Se sua instituição é uma das poucas que conseguem participar de um evento destes no rádio ou na TV, identifique o doador, pois qualquer futura ação será mais rentável com ele do que com outro que nunca tenha participado.
Telemarketing para indivíduos
Devemos lembrar que várias entidades optam por desenvolver sistemas de arrecadação através de telemarketing. Esse sistema consiste em contatar pessoas e convencê-las a contribuir para a instituição. Trata-se de um mecanismo bastante desenvolvido e, inclusive, existem empresas especializadas em coordenar estas campanhas. Querermos destacar algumas informações sobre este mecanismo:
- Muitas pessoas se sentem "invadidas" em sua privacidade por estarem sendo convidadas a contribuir por telefone. Isto pode causar uma imagem negativa para a entidade, caso muitas pessoas tenham esta sensação.
- O discurso da pessoa que solicita recursos tem que ser muito carismático para convencer o provável doador. Corre-se o risco de exagerar no sentimentalismo e a pessoa acaba contribuindo por pena ou não contribui por raiva.
- As empresas que prestam esse serviço costumam cobrar por percentual e pagam as operadoras de telemarketing também dentro desse princípio. Isso pode causar uma insistência por parte da operadora, em função de um interesse financeiro próprio em conseguir a contribuição. Mais uma vez, isso acaba gerando mal-estar na pessoa contratada.
Devemos levar em consideração estas questões antes de decidir por este tipo de campanha. Não queremos aqui desestimulá-lo a atuar através do telemarketing, mas acreditamos que esta forma de arrecadação exige alguns cuidados especiais pelos "efeitos colaterais" que podem surgir. Uma forma bastante interessante de minimizar estes custos altos e seus efeitos é atuando através de voluntários
Resolvem-se, assim, as questões mencionadas acima, já que o contatado não se sentirá invadido por ser amigo do solicitante. O efeito da solicitação é muito mais direto, pois a pessoa confia em quem está solicitando. Não existe a pressão para obter recursos por interesses financeiros particulares e sim porque o voluntário acredita na missão da entidade e o faz de forma desinteressada, doando para determinada causa que será a ela destinada. Acreditamos que, desta forma, uma campanha de telemarketing pode ser bastante produtiva e não gera uma imagem negativa da instituição para a comunidade.
Mesmo atuando com voluntários, recomendamos que estes sejam treinados para apresentarem um discurso venha a ser a "cara" da entidade para os doadores contatados. Recomendamos que não se exagere apresentando um discurso do tipo: "A entidade está com muitas dificuldades financeiras, pode fechar a qualquer momento etc." O doador em potencial pensará: "Ora, se está para fechar, corro o risco de que esse dinheiro doado vá para o lixo..." Vale a pena reforçar a importância da atuação da entidade na comunidade e o fato de as doações individuais serem uma forma de dar continuidade aos projetos desenvolvidos.
O convívio com indivíduos doadores e defensores da causa deveria ser parte integrante da missão da entidade. Devemos ter em mente que as pessoas se sentem indecisas sobre como contribuir com a sociedade. Se damos uma oportunidade para estas pessoas, estamos ampliando a atuação de nossa entidade. Se convidamos esse defensor a dar uma palestra ou se solicitamos uma sugestão, ou mesmo se o chamamos a participar de uma palestra ou se solicitamos uma sugestão, ou mesmo se o chamamos a participar de uma reunião da entidade, estamos permitindo que essa pessoa exerça uma cidadania ativa e isso gera maiores e melhores oportunidades de sustentabilidade da entidade.
Empresas
A solicitação de recursos para empresas deve estar baseada na clareza da proposta e no detalhamento da divulgação do projeto para a entidade. Não raro, as empresas apóiam entidades em troca de divulgação. É necessário então que a entidade tenha um estudo prévio de quais os benefícios que irá oferecer às empresas. Isso inclui muitas vezes custos que não estavam previamente orçados (faixas, coquetéis de lançamento etc.).
Uma empresa pode apoiar uma entidade se percebe que esta tem credibilidade e se a causa é realmente importante. Ainda assim, isso não significa necessariamente o apoio irrestrito da empresa. Mais uma vez devemos ressaltar que, ao solicitarmos recursos para uma empresa, estamos, na verdade, falando com pessoas. Estas podem se entusiasmar com a causa ou achá-la pouco importante. Pode ocorrer também de não haver empatia entre o solicitante e o profissional da empresa ou, pelo contrário, pode ocorrer um relacionamento bastante prazeroso.
Quando encontramos um defensor dentro da empresa, temos um aliado que nos auxiliará a apresentar da melhor forma o projeto lá dentro. Muitas vezes esse defensor é a secretária do diretor ou o próprio. Se cativamos essa pessoa, temos a garantia de colaboração. É muito comum as pessoas buscarem patrocínios de empresas e considerarem o interlocutor um mero intermediário. Esquecem que as decisões são tomadas por pessoas e estas atuam conforme desejos que não são frios como os balanços ou planilhas contendo gráficos.
Claro que não devemos nos ater no relacionamento por si só. É necessário apresentar claramente a missão da entidade, os projetos que desenvolve, cartas de apoio, recursos já obtidos, gráficos, relatórios, informativos etc.
O investimento que esta empresa pode fazer é uma ferramenta do marketing para potencializar publicamente seus produtos ou serviços. Para isso é importante que sua entidade estude a empresa que vai visitar e encontre ligação entre o que esta comercializa o que sua entidade desenvolve. Dentro dessa lógica, a clareza da solicitação é primordial.
Outro fator importante: valorize os contatos. As chances de um diretor receber a entidade aumentam muito se quem indicou essa pessoa é um amigo ou familiar. O profissional da empresa se sente na obrigação de atender uma solicitação desse tipo. Pergunte aos parceiros se conhecem alguém em determinada empresa, peça que estes agendem a reunião ou então entre em contato mencionando: "Foi tal pessoa que me indicou o senhor".
Vale a pena também priorizar as empresas que se localizam na região de atuação de sua entidade. Toda a comunidade ao redor deve conhecer a entidade, e isso inclui as fábricas, lojas e escritórios próximos.
Fundações (nacionais ou internacionais) e agências internacionais
Fundações são criadas com o propósito de apoiar as atividades filantrópicas. Normalmente possuem profissionais que trabalham diariamente e freqüentemente compreendem muito bem o sentido do terceiro setor. A maioria delas tem um processo de solicitação padrão que pode ser obtido através da home-page (página na internet da fundação) ou por um pedido simples por telefone ou carta. A maioria delas possui modelos de formulários de solicitação de recursos que solicitam apresentação de justificativa, objetivo, avaliação de resultados etc. Diferentemente das empresas, as fundações buscam resultados próximos a políticas públicas e não há, necessariamente, a preocupação na divulgação do seu nome como financiador. Os projetos costumam ser de um a três anos e os recursos visam contribuir para a busca da auto-sustentação financeira.
No caso das fundações nacionais, existem objetivos de financiamento bem distintos. Muitas fundações desenvolvem projetos próprios e só algumas têm linhas de financiamento para outras entidades. A associação que congrega estas fundações nacionais chama-se GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas). Eles elaboram um relatório anual contendo as atividades de cada um dos seus associados que pode ser acessado via página do GIFE (www.gife.org). Existem centenas de fundações internacionais - uma delas é o Foundation Center,
(...)
O processo de captação de recursos junto a agências internacionais muitas vezes precisa da aprovação ou do envolvimento do governo brasileiro. Elas podem representar governos estrangeiros, como, por exemplo: CIDA (Canadá), USAID e InterAmerican Foundation (Estados Unidos), GTZ (Alemanha) ou órgãos internacionais, como: PNUD, UNICEF, Banco Mundial.
Igrejas
Captar recursos junto a instituições religiosas exige, em geral, uma identificação com a seita. Diferentemente de outros financiadores, apóiam o custo operacional do projeto e tendem a contribuir por muitos anos. Uma outra vantagem é que, sendo um projeto escolhido pela igreja, membros desta também tendem a contribuir como indivíduos. As igrejas, segundo estudo de Leilah Landim, são grandes receptoras de doações privadas.
Como desafio, alertamos para a demora e dificuldade em acessar essas doações, a não ser que o projeto seja eleito pelo padre ou pastor da comunidade como uma prioridade. Outro ponto é que o projeto deve se adequar às prioridades da igreja.
Recursos públicos governamentais
Indiretamente, todas as organizações sem fins lucrativos de utilidade pública já recebem um certo financiamento do Estado, através de determinadas isenções. Apesar disso, hoje temos um reduzido peso do financiamento governamental nas ações das OSCs. Citando mais uma vez Landim, no conjunto das organizações do terceiro setor, o governo responde por 14,5% das contribuições. Os recursos provenientes do governo podem vir de duas formas básicas: convênios e concursos públicos. No caso dos convênios se estabelece uma parceria entre a entidade e a instância governamental (geralmente o município ou o estado). Em geral, esses convênios estão vinculados à área da infância (creches, abrigos e centros de juventude), até porque seguem requisitos constantes no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Para se obter convênios nesses moldes, deve-se procurar o Conselho Tutelar do Município. Existem também outros convênios que se estabelecem com a área de saúde, muito provavelmente com a criação das OS (Organizações Sociais). Esse conceito de convênio deve passar a funcionar também para museus, escolas etc.
É importante ressaltar um detalhe que muitas vezes passa despercebido: um convênio é, na verdade, uma prestação de serviços. Trata-se da terceirização de uma obrigação do governo em que este remunera uma organização sem fins lucrativos para prestar determinado serviço à comunidade (por exemplo, uma creche). Sem entrarmos nas questões ideológicas desse conceito, acreditamos que, se seguimos o raciocínio de que um convênio é uma prestação de serviços, devemos ser transparentes em relação à divulgação de seu uso e, principalmente, deixar de ter uma relação com o governo de forma a "esmolar" o dinheiro do convênio. Trata-se de um serviço prestado, e deve ser tratado como tal.
Dentro da lógica da captação de recursos, mostrar aos potenciais doadores que a entidade tem um convênio com a prefeitura ou outra esfera governamental significa comprovar que o governo confia nos serviços prestados. Em vez de dizer: "A prefeitura nos dá um dinheiro que é insuficiente", devemos dizer: "Prestamos um serviço para a comunidade e a prefeitura nos paga por isso".
Outra forma de obtenção de recursos governamentais é através de contratos ou mesmo financiamentos específicos de entidades do governo como ministérios e secretarias. É importante se relacionar e conhecer bem a instância governamental vinculada à causa do seu projeto, pois muitas vezes existem recursos específicos que estão à espera de solicitantes. A internet, mais uma vez, acaba auxiliando em nossa busca. Por exemplo, no Ministério do Trabalho existem recursos para a capacitação profissional que podem ser repassados a entidades que atuam com a profissionalização de jovens marginalizados. Trata-se do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Tais recursos financiam cursos de reciclagem profissional que se enquadram perfeitamente com a missão de várias entidades.
Além das fontes de financiamento mencionadas acima, os recursos para as organizações sem fins lucrativos podem vir, também, de duas outras origens: projetos de geração de renda e eventos especiais.
Eventos
Captar recursos através de eventos é gostoso, mas pode ser estressante se não for bem organizado. Os eventos podem ter várias funções: divulgar sua causa, captar recursos, divulgar sua missão e seus projetos e reconhecer doadores e voluntários, bem com captar novos voluntários.
Para que seu evento seja de fato para captar recursos e não apenas para envolver a comunidade ou divulgar a imagem da organização, é preciso muito planejamento, incluindo venda de convites e a organização. Os eventos são momentos de confraternização e tendem a captar também voluntários. Aproveite para, em todos os eventos, criar uma mala direta dos presentes e enviar em seguida uma carta de agradecimentos e um convite para doação. (...)
Projeto de geração de renda
A chamada auto-sustentabilidade é, para muitos financiadores, sinônimo de projetos de geração de renda. Muitas organizações tendem a desenvolver projetos que possam gerar receita própria e, se possível, que seja a fonte principal de seus recursos.
É surpreendente vermos que, entre as organizações sem fins lucrativos, 68,3% dos recursos que as financiam vêm de receitas próprias, como taxas de associados ou venda de bens e serviços no mercado ou rendimentos de patrimônio. Neste grupo estão inseridos hospitais e escolas que geram grande parte de seus recursos através de mensalidade ou taxas pagas pelos serviços médicos.
Vale a pena destacar que a vantagem do financiamento através de projetos de geração de renda é que, como nos eventos, o dinheiro pode ser gerido pela organização conforme sua convivência. Por outro lado, há o risco de ter-se que criar uma empresa com fins lucrativos, o que não é missão ou especialidade da organização.
Quadro comparativo entre as fontes de financiamento
O quadro comparativo entre todas as fontes de financiamento, apresentado a seguir, permite que você analise algumas vantagens, desafios, motivações e outras características específicas da captação com cada uma delas. Algumas dessas características serão válidas para sua organização e outras não são relevantes ou não se adequarão à sua realidade. O quadro é genérico e deve ser usado como recurso para ajudar sua organização a pensar sua própria captação. Neste sentido, após os quadros preenchidos, colocamos um quadro vazio, para ser preenchido pelos profissionais de sua instituição. Coloque as seguintes questões para o grupo:
- Quais vantagens e desafios em captar recursos com empresa? E com indivíduos? E com fundações? Respondam o mesmo para o caso de captação com o governo, de plantação de um projeto de geração de renda, de captação com instituições religiosas ou de criação de um evento especialmente pensando para trazer recursos.
- Qual a motivação que leva cada uma dessas fontes de financiamento a contribuir com sua organização?
- Que recursos são necessários para desenvolver a captação junto a estas fontes?
- Reflitam, por fim, sobre as dicas apresentadas. O preenchimento do quadro vazio poderá ajudar na seleção e priorização das fontes que sua organização pretende trabalhar no momento atual e no desenho para futuras estratégias.
Quadro comparativo entre as fontes de financiamento
Baseado no modelo de Carol Daugherty e Linda Kendrix apresentado em "The Concept Development Resource Group (CDR)". Os estudantes do curso da FOS 1998 contribuíram no conteúdo deste quadro
VANTAGENS | FONTES FINANCIADORAS | |
Empresas | 1 - Parcerias que agregam credibilidade e visibilidade | |
Indivíduos | 1 - Recurso vem solto e pode ser utilizado para financiar seu custo operacional | |
Fundações | 1 - Dão credibilidade | |
Governo | 1 - Fortalecimento do trabalho através de assessoria técnica | |
Geração de Renda | 1 - Autonomia financeira | |
Inst. Religiosa | 1 - Identificação com a instituição religiosa | |
Eventos Especiais | 1 - Recurso vem solto e pode ser utilizado para financiar seu custo operacional | |
DESAFIOS | FONTES FINANCIADORAS | |
Empresas | 1 - Ser claro e direto no pedido | |
Indivíduos | 1 - Garantir continuidade | |
Fundações | 1 - Ter profissionais capacitados para elaborar projetos | |
Governo | 1 - Vencer a burocracia | |
Geração de Renda | 1 - Fazer um estudo de mercado para saber se o projeto é viável | |
Inst. Religiosa | 1 - Identificar projetos afins | |
Eventos Especiais | 1 - Obter recursos materiais e humanos | |
MOTIVAÇÃO | FONTES FINANCIADORAS | |
Empresas | 1 - Qualidade do trabalho | |
Indivíduos | 1 - Desejo de pertencer ao grupo | |
Fundações | 1 - Realização de sua missão | |
Governo | 1 - Prestação de serviço feito à comunidade com custo menor | |
Geração de Renda | 1 - Liberdade de recursos | |
Inst. Religiosa | 1 Identificação com a causa | |
Eventos Especiais | 1 - Envolvimento com a causa e o evento | |
RECURSOS NECESSÁRIOS | FONTES FINANCIADORAS | |
Empresas | 1 - Indicações | |
Indivíduos | 1 - Cartas, folhetos, telefonemas | |
Fundações | 1 - Pessoas capacitadas | |
Governo | 1 - Pessoas adequadas | |
Geração de Renda | 1 - Investimento inicial | |
Inst. Religiosa | 1 - Projeto adequado | |
Eventos Especiais | 1 - Pessoas capacitadas | |
TIPOS DE APOIO | FONTES FINANCIADORAS | |
Empresas | 1 - Recursos financeiros, humanos e em espécie | |
Indivíduos | 1 - Verba | |
Fundações | 1 - Dinheiro | |
Governo | 1 - Técnico e financeiro | |
Geração de Renda | 1 - Recursos de agências financiadoras e fundações | |
Inst. Religiosa | 1 - Pode fornecer apoio a projetos específicos ou apoio institucional | |
Eventos Especiais | 1 - Divulgação da instituição | |
DICAS E SUGESTÕES | FONTES FINANCIADORAS | |
Empresas | 1 - "QI"(quem indica) | |
Indivíduos | 1 - Desenvolva um jeito criativo de pedir | |
Fundações | 1 - Mostre conhecimentos sobre as necessidades da comunidade e como resolvê-los
| |
Governo | 1 - Estabeleça diálogo | |
Geração de Renda | 1 - Estudo de viabilidade antes de iniciar o projeto | |
Inst. Religiosa | 1 - Familiarize-se com a estrutura e hierarquia | |
Eventos Especiais | 1 - Estudo de viabilidade | |
Fonte: ABCR
Abraços,
Evânia Mendonça
034-9991-0139
034-3227-9313
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