Somos uma associação sem fins econômicos cujo propósito é agregar e fortalecer as entidades do terceiro setor do estado do Rio de Janeiro.

domingo, 11 de novembro de 2007

Captação de recursos para a sociedade civil

Captação de diferentes recursos para organizações da sociedade civil

Fontes de financiamento

Para realizar sua missão e atender às necessidades da comunidade, toda organização precisa de recursos, sejam eles de origem nacional ou internacional, advindos de fontes governamentais ou privados (Landim, Leilah, 1999).

Muitas ONGs que surgiram durante o regime militar obtinham recursos externos através de organizações de cooperação internacional como a CIDA, a USAID etc., recusando o financiamento governamental ou de empresas. Outras entidades com caráter de assistência social têm uma tradição de sobreviver através de convênios com o governo, seja da esfera municipal, estadual ou federal. Existem ainda aquelas, também assistenciais, que têm origem religiosa e sobrevivem através dos recursos provenientes de sua congregação e doações de indivíduos.

Diversos financiadores internacionais reduziram suas doações a organizações brasileiras, fazendo com que, cada vez mais, busquem localmente o financiamento de sua sustentabilidade. A partir desse cenário, o que fazer? Pretendemos mostrar (...) que não se deve esperar recursos de uma única fonte, pois corre-se o risco de essa fonte deixar de contribuir. Mostraremos também que cada fonte tem características bem claras e muito provavelmente sua instituição tem identidade com mais de uma.

Ainda que sua entidade tenha uma identidade maior com uma dessas fontes, é altamente recomendável que se desenvolvam campanhas e solicitações aos diversos tipos de fontes de financiamento aqui mencionadas. Primeiramente porque estamos tratando da sustentabilidade, e é muito arriscado depender de uma única fonte de recursos. Outro fator primordial é que, para expandir as possibilidades de arrecadação, sua entidade deverá desenvolver contato com diversos públicos, atingindo reconhecimento em vários setores da sociedade, contribuindo para legitimá-la. Uma entidade que obtém recursos do governo, das empresas, de organismos internacionais e da comunidade próxima é, com certeza, uma entidade representativa, legítima e útil à sociedade. Possuir uma fonte de financiamento - como, por exemplo, uma fundação conhecida -, fortalecer a obtenção de recursos de outra, e isso se transforma num ciclo virtuoso.

Indivíduos

Segundo a pesquisa "As organizações sem fins lucrativos no Brasil: Ocupações, despesas e recursos", realizada por Leilah Landim e Neide Beres em parceria com a The Johns Hopkins University, "81% das doações privadas vêm de indivíduos, totalizando R$ 1,7 bilhões". 21% da população doa recursos financeiros - uma média de R$ 158,00 per capita/ano - e outros 29% doam recursos materiais. E se consideramos a doação de trabalho voluntário e seu valor, as doações privadas cresceriam para mais de um quarto de estrutura de recursos materiais. E se considerarmos a doação de trabalho voluntário e seu valor, as doações privadas cresceriam para mais de um quarto de estrutura de recursos para o setor (Landim).

"Ou seja, 50% da população faz alguma doação, em bens ou dinheiro, para organizações sem fins lucrativos". Destes, 44% doam através de igrejas ou grupos religiosos e 43% doam para a área de assistência social. Estes números mostram a importância do contribuinte individual e nos atentam para que desenhemos estratégias de captação de recursos direcionadas às pessoas da comunidade. Pessoas estas que aderem à causa, se identificam com os projetos que a entidade desenvolve e mostram isto doando recursos, mesmo que pequenos.

Muitas entidades preferem deixar de lado essa busca de doadores individuais. Pensam que o trabalho para obter estes recursos é muito maior do que os recursos em si. Não deixa de ser verdade em um primeiro momento. Talvez os custos de preparação de um informativo, dos telefonemas, dos boletos, dos brindes, não compensem os valores arrecadados inicialmente. Mas o que deve ser levado em consideração é a seguinte questão: se estamos desenvolvendo atividades sociais, duos. De que adianta uma entidade onde fundadores decidem desenvolver determinada ação se esta entidade não consegue convencer outras pessoas da importância dessa ação? Se uma entidade obtém apoio de pessoas, certamente significa que ela é legítima. Se essas pessoas doam recursos financeiros e horas de seu trabalho, significa que temos uma entidade representativa, que extrapola a idéia original dos quatro ou cinco fundadores e garante a esta entidade a possibilidade de somar cada vez mais novos esforços, criando conselhos ativos, desenvolvendo voluntários defensores e finalmente fidelizando sócios contribuintes.

Para resolver essa questão de que o início de um sistema de sócios-contribuintes é custoso, recomendamos que se desenvolva um lançamento da campanha através de um evento. Esta ação tem como objetivo alcançar um grande número de doadores, que confirmarão suas contribuições mensais ou anuais. Mesmo que as doações individuais sejam de valores reduzidos (R$ 5,00 ou R$ 10,00), queremos que você perceba que, ao multiplicar essa doação pelos anos que essa pessoa pode contribuir, se você a mantiver fiel à instituição, terá um valor significativo e de primordial importância. Outra grande vantagem de estabelecer um grupo de doadores fiéis é que a saída de um ou outro não significa uma perda substancial de receita. Se, por exemplo, temos 200 doadores contribuindo mensalmente com R$ 20,00, mesmo que duas pessoas desistam de contribuir, teremos uma redução mínima. Ao mesmo tempo, se nossa entidade mantém um convênio com a prefeitura local e esta deixa de efetuar os pagamentos, corremos o risco de fechar a entidade de uma hora para a outra.

Jorge Santacana, diretor geral da Consulting Ogilvy One Worldwide, caricaturiza os doadores segundo alguns perfis, que apresentaremos a seguir, e propõe ao leitor identificá-los entre seus doadores. Este exercício facilitará a definição de estratégias de sus organização para cada público e, neste sentido, propõe oportunidades de arrecadação:

- Pró-ONGs: contribuem com várias instituições e fazem isto de forma espontânea, mesmo sem serem solicitados. Em sua maioria, são sócios-contribuintes de uma ou mais organizações sem fins lucrativos. De qualquer forma, serão sócios de alguma organização. Trabalhe para que sejam sócios da sua. Ao serem solicitados, reagem positivamente.

- Colaboradores: pessoas que não só contribuem, mas participam ativamente da organização. Juntamente com os Pró-ONGs, são os "vendedores" mais ativos do projeto. Em geral são sócios de uma única organização. Têm o perfil de serem os melhores captadores de novos sócios.

- Livres de consciência: contribuem habitualmente com uma única organização, sendo sócios desta, e se sentem liberados de contribuir com outras. Perante sócias apenas de sua organização, o seu objetivo deverá ser incrementar as contribuições feitas e fidelizá-los pelo maior tempo possível.

- Eventuais: só reagem perante grandes calamidades que os meios de comunicação divulgam e doam a qualquer organização que canalize ajuda para esse fim. Não costumam ser sócios de nenhuma organização e as organizações tendem a denominá-los doadores pontuais. É mais difícil identificá-los, mas representam um das maiores oportunidades de recursos de uma organização, pois se já contribuíram uma vez, estão mais dispostos a contribuir novamente.

- Telemaratonianos: são parecidos com os eventuais, mas só reagem a eventos na TV e no rádio, como o Teleton e o Criança Esperança. Colaboram movidos pela emoção transmitida nos programas e logo após esquecem de sua ação. Se sua instituição é uma das poucas que conseguem participar de um evento destes no rádio ou na TV, identifique o doador, pois qualquer futura ação será mais rentável com ele do que com outro que nunca tenha participado.


Telemarketing para indivíduos

Devemos lembrar que várias entidades optam por desenvolver sistemas de arrecadação através de telemarketing. Esse sistema consiste em contatar pessoas e convencê-las a contribuir para a instituição. Trata-se de um mecanismo bastante desenvolvido e, inclusive, existem empresas especializadas em coordenar estas campanhas. Querermos destacar algumas informações sobre este mecanismo:

- Muitas pessoas se sentem "invadidas" em sua privacidade por estarem sendo convidadas a contribuir por telefone. Isto pode causar uma imagem negativa para a entidade, caso muitas pessoas tenham esta sensação.

- O discurso da pessoa que solicita recursos tem que ser muito carismático para convencer o provável doador. Corre-se o risco de exagerar no sentimentalismo e a pessoa acaba contribuindo por pena ou não contribui por raiva.

- As empresas que prestam esse serviço costumam cobrar por percentual e pagam as operadoras de telemarketing também dentro desse princípio. Isso pode causar uma insistência por parte da operadora, em função de um interesse financeiro próprio em conseguir a contribuição. Mais uma vez, isso acaba gerando mal-estar na pessoa contratada.

Devemos levar em consideração estas questões antes de decidir por este tipo de campanha. Não queremos aqui desestimulá-lo a atuar através do telemarketing, mas acreditamos que esta forma de arrecadação exige alguns cuidados especiais pelos "efeitos colaterais" que podem surgir. Uma forma bastante interessante de minimizar estes custos altos e seus efeitos é atuando através de voluntários em captação. Estes podem realizar de forma bastante produtiva campanhas de solicitação de recursos via telefone, fazendo chamadas prioritariamente aos amigos e conhecidos.

Resolvem-se, assim, as questões mencionadas acima, já que o contatado não se sentirá invadido por ser amigo do solicitante. O efeito da solicitação é muito mais direto, pois a pessoa confia em quem está solicitando. Não existe a pressão para obter recursos por interesses financeiros particulares e sim porque o voluntário acredita na missão da entidade e o faz de forma desinteressada, doando para determinada causa que será a ela destinada. Acreditamos que, desta forma, uma campanha de telemarketing pode ser bastante produtiva e não gera uma imagem negativa da instituição para a comunidade.

Mesmo atuando com voluntários, recomendamos que estes sejam treinados para apresentarem um discurso venha a ser a "cara" da entidade para os doadores contatados. Recomendamos que não se exagere apresentando um discurso do tipo: "A entidade está com muitas dificuldades financeiras, pode fechar a qualquer momento etc." O doador em potencial pensará: "Ora, se está para fechar, corro o risco de que esse dinheiro doado vá para o lixo..." Vale a pena reforçar a importância da atuação da entidade na comunidade e o fato de as doações individuais serem uma forma de dar continuidade aos projetos desenvolvidos.

O convívio com indivíduos doadores e defensores da causa deveria ser parte integrante da missão da entidade. Devemos ter em mente que as pessoas se sentem indecisas sobre como contribuir com a sociedade. Se damos uma oportunidade para estas pessoas, estamos ampliando a atuação de nossa entidade. Se convidamos esse defensor a dar uma palestra ou se solicitamos uma sugestão, ou mesmo se o chamamos a participar de uma palestra ou se solicitamos uma sugestão, ou mesmo se o chamamos a participar de uma reunião da entidade, estamos permitindo que essa pessoa exerça uma cidadania ativa e isso gera maiores e melhores oportunidades de sustentabilidade da entidade.


Empresas

A solicitação de recursos para empresas deve estar baseada na clareza da proposta e no detalhamento da divulgação do projeto para a entidade. Não raro, as empresas apóiam entidades em troca de divulgação. É necessário então que a entidade tenha um estudo prévio de quais os benefícios que irá oferecer às empresas. Isso inclui muitas vezes custos que não estavam previamente orçados (faixas, coquetéis de lançamento etc.).

Uma empresa pode apoiar uma entidade se percebe que esta tem credibilidade e se a causa é realmente importante. Ainda assim, isso não significa necessariamente o apoio irrestrito da empresa. Mais uma vez devemos ressaltar que, ao solicitarmos recursos para uma empresa, estamos, na verdade, falando com pessoas. Estas podem se entusiasmar com a causa ou achá-la pouco importante. Pode ocorrer também de não haver empatia entre o solicitante e o profissional da empresa ou, pelo contrário, pode ocorrer um relacionamento bastante prazeroso.

Quando encontramos um defensor dentro da empresa, temos um aliado que nos auxiliará a apresentar da melhor forma o projeto lá dentro. Muitas vezes esse defensor é a secretária do diretor ou o próprio. Se cativamos essa pessoa, temos a garantia de colaboração. É muito comum as pessoas buscarem patrocínios de empresas e considerarem o interlocutor um mero intermediário. Esquecem que as decisões são tomadas por pessoas e estas atuam conforme desejos que não são frios como os balanços ou planilhas contendo gráficos.

Claro que não devemos nos ater no relacionamento por si só. É necessário apresentar claramente a missão da entidade, os projetos que desenvolve, cartas de apoio, recursos já obtidos, gráficos, relatórios, informativos etc.

O investimento que esta empresa pode fazer é uma ferramenta do marketing para potencializar publicamente seus produtos ou serviços. Para isso é importante que sua entidade estude a empresa que vai visitar e encontre ligação entre o que esta comercializa o que sua entidade desenvolve. Dentro dessa lógica, a clareza da solicitação é primordial.

Outro fator importante: valorize os contatos. As chances de um diretor receber a entidade aumentam muito se quem indicou essa pessoa é um amigo ou familiar. O profissional da empresa se sente na obrigação de atender uma solicitação desse tipo. Pergunte aos parceiros se conhecem alguém em determinada empresa, peça que estes agendem a reunião ou então entre em contato mencionando: "Foi tal pessoa que me indicou o senhor".

Vale a pena também priorizar as empresas que se localizam na região de atuação de sua entidade. Toda a comunidade ao redor deve conhecer a entidade, e isso inclui as fábricas, lojas e escritórios próximos.

Fundações (nacionais ou internacionais) e agências internacionais

Fundações são criadas com o propósito de apoiar as atividades filantrópicas. Normalmente possuem profissionais que trabalham diariamente e freqüentemente compreendem muito bem o sentido do terceiro setor. A maioria delas tem um processo de solicitação padrão que pode ser obtido através da home-page (página na internet da fundação) ou por um pedido simples por telefone ou carta. A maioria delas possui modelos de formulários de solicitação de recursos que solicitam apresentação de justificativa, objetivo, avaliação de resultados etc. Diferentemente das empresas, as fundações buscam resultados próximos a políticas públicas e não há, necessariamente, a preocupação na divulgação do seu nome como financiador. Os projetos costumam ser de um a três anos e os recursos visam contribuir para a busca da auto-sustentação financeira.

No caso das fundações nacionais, existem objetivos de financiamento bem distintos. Muitas fundações desenvolvem projetos próprios e só algumas têm linhas de financiamento para outras entidades. A associação que congrega estas fundações nacionais chama-se GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas). Eles elaboram um relatório anual contendo as atividades de cada um dos seus associados que pode ser acessado via página do GIFE (www.gife.org). Existem centenas de fundações internacionais - uma delas é o Foundation Center, em Nova Iorque (www.fdncenter.org).

(...)

O processo de captação de recursos junto a agências internacionais muitas vezes precisa da aprovação ou do envolvimento do governo brasileiro. Elas podem representar governos estrangeiros, como, por exemplo: CIDA (Canadá), USAID e InterAmerican Foundation (Estados Unidos), GTZ (Alemanha) ou órgãos internacionais, como: PNUD, UNICEF, Banco Mundial.

Igrejas

Captar recursos junto a instituições religiosas exige, em geral, uma identificação com a seita. Diferentemente de outros financiadores, apóiam o custo operacional do projeto e tendem a contribuir por muitos anos. Uma outra vantagem é que, sendo um projeto escolhido pela igreja, membros desta também tendem a contribuir como indivíduos. As igrejas, segundo estudo de Leilah Landim, são grandes receptoras de doações privadas.

Como desafio, alertamos para a demora e dificuldade em acessar essas doações, a não ser que o projeto seja eleito pelo padre ou pastor da comunidade como uma prioridade. Outro ponto é que o projeto deve se adequar às prioridades da igreja.

Recursos públicos governamentais

Indiretamente, todas as organizações sem fins lucrativos de utilidade pública já recebem um certo financiamento do Estado, através de determinadas isenções. Apesar disso, hoje temos um reduzido peso do financiamento governamental nas ações das OSCs. Citando mais uma vez Landim, no conjunto das organizações do terceiro setor, o governo responde por 14,5% das contribuições. Os recursos provenientes do governo podem vir de duas formas básicas: convênios e concursos públicos. No caso dos convênios se estabelece uma parceria entre a entidade e a instância governamental (geralmente o município ou o estado). Em geral, esses convênios estão vinculados à área da infância (creches, abrigos e centros de juventude), até porque seguem requisitos constantes no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Para se obter convênios nesses moldes, deve-se procurar o Conselho Tutelar do Município. Existem também outros convênios que se estabelecem com a área de saúde, muito provavelmente com a criação das OS (Organizações Sociais). Esse conceito de convênio deve passar a funcionar também para museus, escolas etc.

É importante ressaltar um detalhe que muitas vezes passa despercebido: um convênio é, na verdade, uma prestação de serviços. Trata-se da terceirização de uma obrigação do governo em que este remunera uma organização sem fins lucrativos para prestar determinado serviço à comunidade (por exemplo, uma creche). Sem entrarmos nas questões ideológicas desse conceito, acreditamos que, se seguimos o raciocínio de que um convênio é uma prestação de serviços, devemos ser transparentes em relação à divulgação de seu uso e, principalmente, deixar de ter uma relação com o governo de forma a "esmolar" o dinheiro do convênio. Trata-se de um serviço prestado, e deve ser tratado como tal.

Dentro da lógica da captação de recursos, mostrar aos potenciais doadores que a entidade tem um convênio com a prefeitura ou outra esfera governamental significa comprovar que o governo confia nos serviços prestados. Em vez de dizer: "A prefeitura nos dá um dinheiro que é insuficiente", devemos dizer: "Prestamos um serviço para a comunidade e a prefeitura nos paga por isso".

Outra forma de obtenção de recursos governamentais é através de contratos ou mesmo financiamentos específicos de entidades do governo como ministérios e secretarias. É importante se relacionar e conhecer bem a instância governamental vinculada à causa do seu projeto, pois muitas vezes existem recursos específicos que estão à espera de solicitantes. A internet, mais uma vez, acaba auxiliando em nossa busca. Por exemplo, no Ministério do Trabalho existem recursos para a capacitação profissional que podem ser repassados a entidades que atuam com a profissionalização de jovens marginalizados. Trata-se do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). Tais recursos financiam cursos de reciclagem profissional que se enquadram perfeitamente com a missão de várias entidades.

Além das fontes de financiamento mencionadas acima, os recursos para as organizações sem fins lucrativos podem vir, também, de duas outras origens: projetos de geração de renda e eventos especiais.

Eventos

Captar recursos através de eventos é gostoso, mas pode ser estressante se não for bem organizado. Os eventos podem ter várias funções: divulgar sua causa, captar recursos, divulgar sua missão e seus projetos e reconhecer doadores e voluntários, bem com captar novos voluntários.

Para que seu evento seja de fato para captar recursos e não apenas para envolver a comunidade ou divulgar a imagem da organização, é preciso muito planejamento, incluindo venda de convites e a organização. Os eventos são momentos de confraternização e tendem a captar também voluntários. Aproveite para, em todos os eventos, criar uma mala direta dos presentes e enviar em seguida uma carta de agradecimentos e um convite para doação. (...)

Projeto de geração de renda

A chamada auto-sustentabilidade é, para muitos financiadores, sinônimo de projetos de geração de renda. Muitas organizações tendem a desenvolver projetos que possam gerar receita própria e, se possível, que seja a fonte principal de seus recursos.

É surpreendente vermos que, entre as organizações sem fins lucrativos, 68,3% dos recursos que as financiam vêm de receitas próprias, como taxas de associados ou venda de bens e serviços no mercado ou rendimentos de patrimônio. Neste grupo estão inseridos hospitais e escolas que geram grande parte de seus recursos através de mensalidade ou taxas pagas pelos serviços médicos.

Vale a pena destacar que a vantagem do financiamento através de projetos de geração de renda é que, como nos eventos, o dinheiro pode ser gerido pela organização conforme sua convivência. Por outro lado, há o risco de ter-se que criar uma empresa com fins lucrativos, o que não é missão ou especialidade da organização.

Quadro comparativo entre as fontes de financiamento

O quadro comparativo entre todas as fontes de financiamento, apresentado a seguir, permite que você analise algumas vantagens, desafios, motivações e outras características específicas da captação com cada uma delas. Algumas dessas características serão válidas para sua organização e outras não são relevantes ou não se adequarão à sua realidade. O quadro é genérico e deve ser usado como recurso para ajudar sua organização a pensar sua própria captação. Neste sentido, após os quadros preenchidos, colocamos um quadro vazio, para ser preenchido pelos profissionais de sua instituição. Coloque as seguintes questões para o grupo:

- Quais vantagens e desafios em captar recursos com empresa? E com indivíduos? E com fundações? Respondam o mesmo para o caso de captação com o governo, de plantação de um projeto de geração de renda, de captação com instituições religiosas ou de criação de um evento especialmente pensando para trazer recursos.

- Qual a motivação que leva cada uma dessas fontes de financiamento a contribuir com sua organização?

- Que recursos são necessários para desenvolver a captação junto a estas fontes?

- Reflitam, por fim, sobre as dicas apresentadas. O preenchimento do quadro vazio poderá ajudar na seleção e priorização das fontes que sua organização pretende trabalhar no momento atual e no desenho para futuras estratégias.

Quadro comparativo entre as fontes de financiamento

Baseado no modelo de Carol Daugherty e Linda Kendrix apresentado em "The Concept Development Resource Group (CDR)". Os estudantes do curso da FOS 1998 contribuíram no conteúdo deste quadro

VANTAGENS

FONTES FINANCIADORAS

Empresas

1 - Parcerias que agregam credibilidade e visibilidade
2 - Menor burocracia
3 - Maior retorno financeiro
4 - Pode gerar divulgação
5 - Doações em espécie, dinheiro e trabalho voluntário especializado
6 - Decisões sobre doações feitas ao longo de todo o ano

Indivíduos

1 - Recurso vem solto e pode ser utilizado para financiar seu custo operacional
2 - Constituem uma rede de doares
3 - Agente Multiplicador
4 - Atingidos pelo coração
5 - Menos exigência mais envolvimento
6 - Mais rápida a resposta
7 - Doações de longo prazo
8 - Podem doar trabalho em várias áreas além de dinheiro
9 - Apóiam causas ousadas

Fundações

1 - Dão credibilidade
2 - Somas substanciais, doadas geralmente de uma só vez ou máximo por 3 anos
3 - Apresentam modelos para propostas e auxiliam no desenho de indicadores e obtenção de resultados
4 - Possuem a missão clara, o que facilita identificação com o projeto a ser apresentado
5 - Prestação de contas é necessária
6 - Mais democrático
7 - Falam a mesma língua

Governo

1 - Fortalecimento do trabalho através de assessoria técnica
2 - Legitimação
3 - Garantia de verba (convênio)
4 - Grandes somas e por longos períodos

Geração de Renda

1 - Autonomia financeira
2 - Continuidade
3 - Geração de emprego
4 - Ag. Financiadoras e fundações gostam de contribuir com projetos que dêem uma certa sustentabilidade para a organização
5 - Podem ser criativos/ inovadores
6 - Podem fortalecer os vínculos com doadores

Inst. Religiosa

1 - Identificação com a instituição religiosa
2 - Credibilidade do projeto
3 - Divulgação na comunidade
4 - Apoio no custo operacional
5 - Projetos de longa duração
6 - Também faz contribuição em espécie

Eventos Especiais

1 - Recurso vem solto e pode ser utilizado para financiar seu custo operacional
2 - Marketing e divulgação da organização: visibilidade e credibilidade
3 - Aproximação com a comunidade
4 - Pode-se construir um banco de dados de potenciais doadores: concentração de doadores em potencial em uma noite
5 - Podem ser criativos e divertidos tornando-se marcantes e aguardados todos os anos
6 - Podem fortalecer o vínculo com doares

DESAFIOS

FONTES FINANCIADORAS

Empresas

1 - Ser claro e direto no pedido
2 - Expectativa de profissionalismo por parte de grandes empresas
3 - Interesses nem sempre afins
4 - Visibilidade e retorno de imagem podem ser requisitados
5 - Fazem doações principalmente para organizações convencionais
6 - Compatibilidade de interesse na sua área de Marketing
7 - Instabilidade econômica
8 - Difícil acesso a quem decide

Indivíduos

1 - Garantir continuidade
2 - Muito trabalho para pouco recurso
3 - Valorizar o doador
4 - Cultivar doadores pode ser uma tarefa que requer grande investimento de tempo e dinheiro até dar resultados
5 - Transformar o doador em contribuinte de longo prazo e grandes somas

Fundações

1 - Ter profissionais capacitados para elaborar projetos
2 - Compatibilizar interesse de fundação e entidades
3 - Duração do financiamento
4 - Ter de ser um projeto tão diferenciado e criativo que seja depois multiplicador
5 - Gostam de projetos de geração de renda
6 - Freqüentemente são difíceis de acessar
7 - Poucas áreas de prioridade

Governo

1 - Vencer a burocracia
2 - Sobreviver dentro da política do governo
3 - Diminuição da verba
4 - Descontinuidade dos programas
5 - Falta de compromisso
6 - Remanejamento de verbas destinadas ao terceiro setor

Geração de Renda

1 - Fazer um estudo de mercado para saber se o projeto é viável
2 - Gerir o negócio
3 - Capital inicial e de giro
4 - Legislação para venda e documentação
5 - Lidar com mito e preconceito
6 - Amortização do investimento
7 - Pode não ser lucrativo em função dos altos lucros administrativos
8 - Pode ser arriscado se não for bem planejado

Inst. Religiosa

1 - Identificar projetos afins
2 - Interferência do financiador
3 - Garantir a não discriminação religiosa
4 - Lidar com mitos
5 - Freqüentemente difíceis de acessar, já que o programa deve se adequar a agenda mais ampla da igreja
6 - Processo de solicitação demorado e algumas vezes definido por critérios políticos

Eventos Especiais

1 - Obter recursos materiais e humanos
2 - Longo tempo de organização e muitas pessoas envolvidas deixando de fazer o trabalho interno
3 - Gasto X retorno
4 - Custos indiretos (tempo da equipe profissional e de voluntários, despesas imprevistas) podem ser significativos
5 - Podem desperdiçar muito dinheiro se não forem bem planejadas
6 - Pouco retorno

MOTIVAÇÃO

FONTES FINANCIADORAS

Empresas

1 - Qualidade do trabalho
2 - Retorno de imagem junto à comunidade
3 - Marketing
4 - Atividade pode beneficiar direta ou indiretamente a empresa
5 - Funcionário se sente mais motivado a trabalhar numa empresa socialmente responsável

Indivíduos

1 - Desejo de pertencer ao grupo
2 - Amigos
3 - Participar dos resultados
4 - Valorização
5 - Identidade com a causa
6 - Desejo de ser parte da visão da organização

Fundações

1 - Realização de sua missão
2 - Garantia de um bom trabalho
3 - Mais resultados oferecidos através de seu financiamento

Governo

1 - Prestação de serviço feito à comunidade com custo menor
2 - Desenvolvimento da comunidade

Geração de Renda

1 - Liberdade de recursos
2 - Não depender de contratos
3 - Doação específica a uma atividade que irá se auto-sustentar

Inst. Religiosa

1 – Identificação com a causa
2 – Altruísmo
3 – Seu programa ajuda-os realizar sua agenda religiosa
4 – Possibilidade de mostrar coerência entre reflexão e ação

Eventos Especiais

1 - Envolvimento com a causa e o evento
2 - Multiplicação de novos contatos e traz mais voluntários (futuros doadores)

RECURSOS NECESSÁRIOS

FONTES FINANCIADORAS

Empresas

1 - Indicações
2 - Sensibilização com a causa
3 - Material de divulgação
4 - Projetos bem preparados
5 - Conexões com a gerência local da empresa podem ser úteis
6 - Conhecer a empresa

Indivíduos

1 - Cartas, folhetos, telefonemas
2 - Pessoal preparado para contatos
3 - Visitas a doadores
4 - Eventos
5 - Tempo para construir e nutrir relações

Fundações

1 - Pessoas capacitadas
2 - Bom projeto
3 - Interessante mas não obrigatório ter conexões com equipe profissional ou diretoria da fundação. Podem ser úteis
4 - Material de apoio
5 - Referências à idoneidade

Governo

1 - Pessoas adequadas
2 - Administração organizada
3 - Diretoria constituída de fato
4 - Documentação legalizada

Geração de Renda

1 - Investimento inicial
2 - Recursos humanos adequados e bastante especializados
3 - Planejamento estratégico

Inst. Religiosa

1 - Projeto adequado
2 - Conexão e contatos com lideranças da instituição religiosa
3 - Envolvimento com a comunidade

Eventos Especiais

1 - Pessoas capacitadas
2 - Capital inicial é necessário
3 - Local
4 - Doações
5 - Planejamento
6 - Patrocínio
7 - Voluntários

TIPOS DE APOIO

FONTES FINANCIADORAS

Empresas

1 - Recursos financeiros, humanos e em espécie
2 - Trabalho voluntário
3 - Auxílio organizacional
4 - Podem apoiar eventos especiais, vendendo convites

Indivíduos

1 - Verba
2 - Horas gratuitas de profissionais
3 - Bens
4 - Divulgação do projeto
5 - Presença em eventos

Fundações

1 - Dinheiro
2 - Treinamento
3 - Acompanha o projeto
4 - Desenho de indicadores
5 - Dinheiro inicial
6 - Financiamento para projeto específico
7 - Apoio institucional (pequenas quantias)
8 - Em geral não apóiam eventos especiais

Governo

1 - Técnico e financeiro
2 - Elaboração de projetos

Geração de Renda

1 - Recursos de agências financiadoras e fundações
2 - Programa com forte apelo

Inst. Religiosa

1 - Pode fornecer apoio a projetos específicos ou apoio institucional
2 - Apoio da comunidade religiosa
3 - Contribuição em espécie
4 - Respaldo
5 - Recursos a longo prazo

Eventos Especiais

1 - Divulgação da instituição
2 - Traz dinheiro livre para qualquer uso
3 - Mão-de-obra voluntária

DICAS E SUGESTÕES

FONTES FINANCIADORAS

Empresas

1 - "QI"(quem indica)
2 - Tenha uma lista de necessidades que não sejam dinheiro
3 - Prepare uma abordagem que demonstre como seu projeto vai ao encontro dos objetivos da empresa
4 - Projeto resumido com boa visualização e sem erros de português
5 - Marque uma entrevista e certifique-se de fazer uma apresentação breve (15' a 20')
6 - Procure empresas na sua comunidade: comércio local, vizinhança
7 - Apresente solicitações no início do ano fiscal

Indivíduos

1 - Desenvolva um jeito criativo de pedir
2 - Tenha certeza, antes de iniciar, de que sua lista de contatos está atualizada
3 - Reconheça publicamente as doações realizadas, a menos que peçam o contrário

Fundações

1 - Mostre conhecimentos sobre as necessidades da comunidade e como resolvê-los
2 - Clareza dos objetivos
3 - Não solicite doações para eventos especiais
4 - Boa apresentação e elaboração
5 - Associe o projeto a valores e resultados para a comunidade


6 - Evite linguagem técnica que não é facilmente compreendida
7 - Faça um projeto pequeno com não mais de 10 páginas e com encadernação simples
8 - Peça apoio para 2 a 3 anos

Governo

1 - Estabeleça diálogo
2 - Peça recursos financeiros e formação técnica
3 - Descubra todos os tipos de convênio que podem ser estabelecidos

Geração de Renda

1 - Estudo de viabilidade antes de iniciar o projeto
2 - Seja criativo e estratégico em relação à geração de recursos próprios
3 - Considere cuidadosamente as necessidades da comunidade

Inst. Religiosa

1 - Familiarize-se com a estrutura e hierarquia
2 - Busque informações através da congregação local
3 - Apresente temas para discussão com a comunidade
4 - Procure apoio de grupos regulares da comunidade

Eventos Especiais

1 - Estudo de viabilidade
2 - Criação de comitê de organização de eventos com voluntários
3 - Considere a relação entre o evento, a imagem e objetivos da organização
4 - Faça e cumpra o cronograma para realização do evento (faça uma lista de tarefas)
5 - Considere a possibilidade de repetir o evento e, se possível, constitua uma marca para que todos não queiram perder o seu evento
6 - Tenha cuidados com eventos que possuem um alto custo ou envolvam riscos
7 - Escolha locais recém-inaugurados
8 - Cuidado com eventos externos
9 - Avalie seus esforços a aprenda com seus erros

Fonte: ABCR

Abraços,

Evânia Mendonça

034-9991-0139

034-3227-9313

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